
Projeto Muriqui: conservação, educação ambiental e as conexões invisíveis da Mata Atlântica
Conheça o Projeto Muriqui em Santa Teresa (ES) e como conservação, educação ambiental, documentários e biodiversidade se conectam na Mata Atlântica.
Luiz Fernando Costa Moreira
12/27/20253 min ler


O muriqui-do-norte (Brachyteles hypoxanthus), maior primata das Américas, vive em silêncio entre as copas da Mata Atlântica. Não grita, não disputa território com violência, não chama atenção. Ainda assim, sua existência sustenta uma das histórias mais importantes da conservação ambiental no Brasil.
É a partir dele que surge o Projeto Muriqui, no Espírito Santo — uma iniciativa que une conservação da biodiversidade, educação ambiental e conexão entre fragmentos florestais.
Santa Teresa (ES) e a importância da Mata Atlântica
Localizada na região serrana do Espírito Santo, Santa Teresa é referência nacional quando o assunto é Mata Atlântica e pesquisa científica. O município abriga áreas preservadas, instituições de pesquisa e projetos de educação ambiental que transformaram a região em um verdadeiro laboratório vivo da biodiversidade brasileira.
Nesse território, cada fragmento florestal tem valor estratégico — não apenas para a fauna local, mas para o equilíbrio ecológico regional.
O que é o Projeto Muriqui e por que ele é essencial
O Projeto Muriqui reúne ações voltadas à proteção do muriqui-do-norte, espécie criticamente ameaçada de extinção. Mas seu foco vai além do monitoramento animal.
O eixo central do projeto é a criação e manutenção de corredores ecológicos.
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O que são corredores ecológicos?
São áreas que conectam fragmentos isolados de floresta, permitindo:
deslocamento da fauna
troca genética entre populações
ampliação das áreas de alimentação
regeneração natural da vegetação
Sem essas conexões, espécies como o muriqui ficam isoladas, vulneráveis e caminham rapidamente para a extinção.
TFCA e FUNBIO: financiamento e política pública ambiental
Grande parte das ações do Projeto Muriqui no Espírito Santo foi viabilizada por meio do TFCA – Tropical Forest Conservation Act, um acordo internacional que converte dívida externa em investimento direto na conservação ambiental.
No Brasil, o programa foi gerido pelo FUNBIO, apoiando projetos que uniram:
pesquisa científica
restauração florestal
educação ambiental
fortalecimento de políticas públicas
Esse modelo demonstra que a conservação ambiental eficaz depende de planejamento, financiamento e articulação institucional.
Educação ambiental: quando a floresta ensina
A educação ambiental é um dos pilares mais transformadores do Projeto Muriqui. Em escolas e comunidades locais, o muriqui deixa de ser apenas um animal ameaçado e passa a representar:
identidade territorial
consciência ecológica
relação entre ser humano e natureza
A floresta se torna sala de aula.
A ciência se transforma em narrativa acessível.
Documentários ambientais e a sensibilização do público
Produções audiovisuais como o documentário “Redescobrindo a Mata Atlântica”, desenvolvidas por iniciativas como o Instituto Últimos Refúgios, ampliam o alcance da conservação ambiental.
O muriqui surge como personagem central, conduzindo o espectador por temas como:
fragmentação florestal
corredores ecológicos
biodiversidade
urgência da preservação
Esses documentários funcionam como ferramentas educativas poderosas, especialmente para escolas, educadores e projetos socioambientais.
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Meliponicultura, apicultura e polinizadores: conexões naturais
Embora o foco do Projeto Muriqui seja a proteção de um primata, suas ações impactam diretamente abelhas nativas (meliponicultura) e abelhas africanizadas (apicultura).
A restauração de áreas florestais:
aumenta a oferta de flores e plantas nativas
fortalece a polinização
melhora a regeneração da Mata Atlântica
cria oportunidades para projetos educativos com abelhas
Onde a floresta se reconecta, as abelhas voltam a zumbir — e a vida floresce.
O muriqui como símbolo da conservação ambiental
O muriqui não é apenas uma espécie ameaçada.
Ele é um indicador da saúde da Mata Atlântica.
Sua presença sinaliza equilíbrio.
Sua ausência, alerta.
Projetos como o desenvolvido em Santa Teresa mostram que sustentabilidade é ação concreta, construída com ciência, educação e envolvimento comunitário.
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SERVIÇO | Informações institucionais
🔹 Conservação do Muriqui e Mata Atlântica
• FUNBIO – Fundo Brasileiro para a Biodiversidade
https://www.funbio.org.br
• IEMA – Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (ES)
https://iema.es.gov.br
🔹 Pesquisa e Educação Ambiental
• Instituto Nacional da Mata Atlântica (INMA) – Santa Teresa/ES
https://www.gov.br/inma
🔹 Documentários Ambientais
• Instituto Últimos Refúgios
https://www.ultimosrefugios.org.br
Confira também o documentário




